15 de março de 2010

espaço artaud

em 2007 trabalhei num projeto chamado casa freud, aqui em bh.
conheci sobre a casa freud ainda quando criança, durante as longas conversas que sempre tive com minha mãe.
minha mãe, assistente social, que havia fundado a ASSTRAL- um projeto auto-sutentável que trabalhava com oficinas de arte e artesanato para os ditos "transtornados". 


não quero discutir aqui o tanto que os transtornos mentais advém realmente do indívíduo ou o tanto que a sociedade adoenta o ser, nem mesmo devo falar sobre a verdade que rege a discussão das psicoses, do que é loucura ou de como a sociedade lida com aqueles que não tem escolha em viver a existência e seus transtornos até a raiz. 
essa é uma discussão que não tenho propriedade para colocar, embora me preocupe absurdamente e realmente tenho minhas posições a respeito.
também não quero entrar no mérito do questionamento da natureza de oficinas, do que é arte, artesanato, do embate entre a arte-terapia e a subversão dela.
sei que projetos como a ASSTRAL funcionam. isso quer dizer TRANSFORMAM. e transformam vidas, estruturas familiares, seres humanos e sua colocação social, sua auto-estima e poder de ação, produção e criação do sujeito.


na casa freud, fundada pelo analista e artista plástico musso greco, trabalhávamos com oficinas de pintura, literatura, cerâmica (das que me lembro).
o espaço onde essas verdadeiras criações se convergiam, era chamado Espaço Artaud ( homenagem a antonin artaud, dramaturgo apresentado à vocês aqui no nosso blog).
essa experiência foi essencial pra mim- me transformou como pessoa, como profissional e como artista. 
grandiosíssima vivência. aprendi coisas naquele lugar, com aquelas pessoas, com os trabalhos magníficos delas que não há palavra alguma que consiga transpor (sentimentos grandes e experiências quase espirituais dessas não podem e talvez nem devam serem descritas).
no final do ano de 2007, a Casa Freud foi fechada. a dor do espaço, da vida como era tida ali, da filosofia daquele lugar, da forma de conviver, dos sonhos que aquela casa portava foram simbologicamente sofridos. mas a construção que tamanho projeto deixou, a marca, o legado não é possível ser derrubado.


hoje, me decidindo aqui sobre o momento exato de falar das coisas e, assim, me decidindo sobre o que falaria pra vocês nesse post, recebi um e-mail do meu grande amigo- cujo apelido imediatamente é possível reconhecer sua grandiosidade. gandhi, meu amigo dessa longa estrada, me enviou o blog de um projeto que acontece no rio de janeiro e agora em são joão del rey.
o projeto chama-se Espaço Artaud Companhia de Teatro e ainda precisarei de longas conversas para dizer a vocês mais um pouco dessas história.


o fato é que existe um grupo chamado Os nômades, formado dentro desse Espaço Artaud, que trabalha com peças escritas a partir de temas improvisados em seus encontros semanais. 
não tenho a real visão de como sejam essas peças nem do valor estético delas- isso tampouco me interessa agora. me interessa é como elas nascem e a partir do que.
o trabalho desse grupo está nesse endereço:  www.espacoartaudciadeteatro.blogspot.com/ . estão em momento de suspensão, mas creio eu que ainda falaremos muito deles no FLUXO.


deixo a vocês a necessidade de se construir arte que possa subtrair as dores e perdas colocadas por um sistema (seja qual for) falido, que já maltratou gente demais.
é preciso que estejamos preparados para assumir todas as nossas individuais diferenças para construir algo muito maior e total.
axé.


(ana pedrosa

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